CAPÍTULO 280 — A PRIMEIRA VEZ QUE ELE ENTENDEU O QUE SIGNIFICA PARTIR Depois que a outra presença recuou… o prédio ficou em silêncio. Não um silêncio vazio. Nem assustador. Um silêncio cansado. Como o de alguém que sobreviveu a uma tempestade forte demais. A chuva continuava caindo do lado de fora enquanto o inverno cobria a cidade inteira com aquele céu cinza imóvel. Mas dentro do prédio… alguma coisa tinha mudado para sempre. Os corredores estavam normais novamente. As paredes já não respiravam. As portas levavam para apartamentos reais outra vez. O elevador voltou a funcionar sem sons impossíveis vindo das profundezas. E mesmo assim… ninguém conseguia agir como se nada tivesse acontecido. Os moradores permaneciam acordados apesar do amanhecer. Reunidos no térreo. Sentados próximos demais uns dos outros. Como pessoas que descobriram, da pior forma possível, o quanto precisavam de companhia. A senhora Eunice distribuía café em copos descartáveis. O porteiro tenta
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