Stella Blake Vinte e cinco anos depois...O sol da manhã entrava pela janela da cozinha. A mesma cozinha. A mesma Mônica — não, a Mônica tinha ido embora há dez anos, descansar com Deus, como ela mesma dizia. Mas a cozinha continuava com o cheiro de pão, porque a Inês aprendeu a receita e nunca mais parou de fazer.A mesa estava posta para o café. A Alana já tinha saído para o hospital. Ela era médica agora, neuropediatra, trabalhava num hospital público e vivia reclamando do sistema. Mas amava o que fazia. A Sofia ainda dormia? Não, a Sofia tinha se mudado há cinco anos, morava perto da praia, abriu um estúdio de arte. Ela vinha todo mês, trazia as crianças, e a casa voltava a ser bagunçada. O Miguel estava no quarto? Não, o Miguel fazia engenharia civil, morava numa república, aparecia para lavar roupa e pedir dinheiro emprestado.A casa estava vazia. O silêncio. O café.Dominic desceu as escadas com o andar mais lento, o cabelo todo branco, os olhos claros ainda vivos. Ele sentou
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