DiogoParte 1 - As Paredes Me SufocavamO silêncio do apartamento do Felipe, que no dia anterior parecia um refúgio temporário, hoje começou a me sufocar. Cada canto daquela sala parecia gritar a minha incompetência. Cada vez que eu olhava para ele, eu via a Júlia. E cada vez que eu pensava na Júlia, na possibilidade daquela menina nos aparelhos, a minha espinha congelava.Lembrar dela era lembrar que a minha vida inteira tinha sido uma construção de areia que a primeira maré forte levou. Tudo mentira. Marina, o nosso relacionamento, os planos. Eu precisava sair dali antes que as paredes desabassem na minha cabeça. Precisava de um lugar onde eu não fosse o "viúvo da Marina" ou o "amigo traído".— Eu preciso ir, Felipe. — eu disse, a voz seca, pegando meu casaco no encosto da cadeira.— Diogo, você não está bem para ficar sozinho. — ele tentou argumentar, dando um passo na minha direção, com o olhar carregado daquela preocupação densa.Aquilo me irritava. Me irritava profundamen
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