Quando as últimas baterias do dia terminaram e o fluxo constante de atletas, técnicos e torcedores começou a se dispersar pelos corredores do hotel, a equipe da Surf House seguiu em silêncio até uma das salas reservadas no fundo da recepção.Era um espaço simples, com paredes claras, cadeiras dispostas em um círculo improvisado. Em outras noites, aquele ambiente serviria para analisar scores, rever vídeos, discutir estratégias. Naquela, porém, a competição parecia distante, quase abstrata. Havia algo muito mais urgente ocupando o ar.Luna sentou-se próxima à parede, as costas eretas, as mãos apoiadas nos joelhos, tentando manter algum controle sobre o próprio corpo enquanto a mente insistia em correr em direções que ela preferia evitar.Desde que saíra da água, a imagem daquele sorriso voltava como um reflexo incômodo, difícil de expulsar. Não era apenas medo, era o reconhecimento de algo antigo, algo que pertencia a um passado que ela acreditava ter deixado para trás.— A gente preci
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