Allegra Whitmore não voltou para Nova York movida por curiosidade. Não voltou por nostalgia. Não voltou porque sentia falta de um lugar que nunca foi dela. Ela voltou porque, durante dezoito anos, aprendeu a viver com uma ausência que tinha nome, rosto e culpa. E agora que sabia exatamente quem carregar dentro da própria raiva, precisava olhar nos olhos da família que, segundo a versão que cresceu ouvindo, destruiu a mulher que a trouxe ao mundo.A cidade não parecia diferente das fotos antigas que ela guardava escondidas. Alta demais, viva demais, indiferente demais. Nova York não se importava com vinganças pessoais. Continuava funcionando, respirando, ignorando dramas familiares que para alguém significavam tudo. Allegra caminhava pelas ruas como se estivesse apenas iniciando um intercâmbio universitário qualquer, com mochila nas costas e postura discreta, mas por dentro carregava uma determinação que não combinava com a idade.Ela estudou os Beckman durante meses antes de desembarc
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