Celina não demorou a se aproximar.Ela já tinha entendido o ritmo da festa, o momento certo de entrar em cena, o ponto em que as pessoas estavam distraídas o suficiente para não observar com profundidade, mas presentes o bastante para validar qualquer gesto. Quando parou diante de Brian, o sorriso surgiu com precisão, leve, controlado, do jeito que ela vinha treinando, sustentando o olhar no tempo exato para parecer íntima, confortável, pertencente.— Amor… — a voz saiu suave, encaixada — vamos dançar?Brian não respondeu imediatamente. Para quem olhasse de fora, parecia apenas uma pausa natural, um segundo de atraso comum em qualquer conversa, mas por dentro aquilo tinha outro peso. Ele não estava ouvindo apenas o que ela dizia. Estava observando como dizia, como respirava, como se movia, como sustentava o olhar. Tudo ali estava sendo analisado com um nível de precisão que não tinha mais nada de instintivo.A vontade de reagir veio forte, rápida, quase física, como um impulso direto,
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