Joseph Em casa, a inquietação não me larga nem por um segundo. Ela entra comigo pela porta, sobe as escadas comigo, atravessa o corredor silencioso da mansão comigo e senta no meu peito como uma tonelada de concreto invisível. Tento agir normalmente enquanto tiro o relógio, deixo o celular na cômoda e afrouxo a gravata, mas minha cabeça continua presa na mesma frase desde que saí da delegacia. Rocco quer lutar com Can. Aquilo não fazia sentido. E quando alguma coisa relacionada ao Rocco não fazia sentido, normalmente significava problema. Melinda percebe meu estado no instante em que entro no quarto. Ela está sentada na cama, cercada pelos tantos livros de maternidade que parecem se multiplicar toda vez que viro as costas. Um deles está aberto sobre a barriga dela. Ela me observa em silêncio por alguns segundos. — Você está bem? Parece chateado. — Só cansado. A noite foi longa, e nada do que eu que esperei aconteceu. Estou frustrado, acho. Ela fecha o livro devagar
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