Joseph O dia amanheceu limpo pela primeira vez em semanas. Ainda fazia frio, aquele frio irritante de Nova Iorque que atravessa o casaco e parece entrar direto nos ossos, mas o céu estava claro, sem nuvens pesadas, sem aquela aparência cinza deprimente que deixava a cidade inteira parecendo cansada da própria existência. Era quase estranho ver luz atravessando as janelas da casa. Como se o mundo tivesse decidido fingir tranquilidade por algumas horas. Levei Melinda para ver Sylvia depois do almoço. Ela passou o caminho inteiro quieta, observando a cidade pela janela, usando um dos casacos largos que agora começavam a esconder menos a barriga. Às vezes ela levava a mão até o ventre sem perceber, num gesto automático, protetor. E toda vez que eu notava aquilo, alguma coisa se mexia dentro de mim. A casa de Sylvia tinha cheiro de café fresco e bolo de chocolate. Sempre tinha. A mulher parecia alimentar pessoas como mecanismo emocional de sobrevivência. Assim que entramos, ela
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