Joseph Estaciono o carro em frente à delegacia e desligo o motor sem dizer nada. O silêncio dentro do veículo pesa imediatamente, denso, desconfortável, daqueles que fazem até a respiração parecer barulhenta demais. Meu pai continua olhando pelo para-brisa, imóvel, como se ainda tivesse esperança de que eu desse marcha à ré e fingisse que essa conversa nunca aconteceu. Do lado de fora, Nova Iorque segue viva do jeito caótico de sempre. Sirenes ao longe, gente atravessando a rua sem paciência, táxis buzinando por motivo nenhum. E, ainda assim, dentro daquele carro, parece que o mundo inteiro ficou suspenso. Meu pai solta o ar devagar. — O que estamos fazendo aqui, Joseph? A pergunta vem baixa, cansada, mas ele sabe exatamente a resposta. Conheço Peter Peretti bem demais para não perceber o medo escondido por trás daquela falsa calma. Meu pai sempre foi um homem que sorria diante do desastre, como se transformar tragédia em piada fosse uma habilidade hereditária da família.
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