O Maybach preto estava estacionado do outro lado da rua, em frente ao hospital. Pela janela entreaberta, a mão de Ethan repousava casualmente, segurando um cigarro. Entre seus dedos longos, o ponto vermelho da brasa brilhava intensamente contra a escuridão. Metade do cigarro era consumida pelo vento; a outra metade, por ele. Aquela luz escarlate que tremulava refletia exatamente o que ele sentia: uma agitação profunda, reprimida à força pela razão, em um ciclo que parecia não ter fim. O rosto sombrio de Ethan estava oculto pela fumaça branca. Ele pegou o último pedaço de madeira de sândalo — um presente antigo de Nyla — e o acendeu. O aroma era sutil, viciante, e lembrava exatamente o cheiro dela. Algo que ele não conseguia explicar, mas que era impossível de esquecer. Este é o último, pensou ele. Ele decidiu que não usaria mais aquele sândalo, assim como decidiu que não teria mais Nyla. Vícios podem ser vencidos, e ele estava convencido de que ela era apenas mais um deles. Quando
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