Aurora GordomaA dor que se instalou no meu peito era tão devastadora. Eu não aguentava mais perder ninguém, por mais que eu nem soubesse que ele estava lá, agora sei e dói, dói absurdamente, algo foi arrancado de mim. E a dor é sufocante.Dois dias haviam se passado, e minhas meninas ainda estavam na UTI, e o velório do meu menino que não conhecemos, aconteceria nessa tarde. Demos o nome dele de Theo. E só de pensar que Anika e Anelise iriam crescer sem a terceira metade delas, isso me doía cada vez mais.Eu nunca imaginei que fosse possível amar alguém tão profundamente sem sequer ter visto seus olhos abertos. Nunca imaginei que alguém pudesse deixar uma marca tão profunda em mim sem nunca ter respirado fora do meu ventre.Mas Theo existiu.Ele existiu dentro de mim.Ele cresceu ali.Ele ouviu minha voz.Ouviu o coração do pai dele.Sentiu as irmãs ao lado.E agora… ele não estava mais aqui.O quarto do hospital parecia silencioso demais naquela manhã cinzenta. O cheiro forte de álc
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