A cidade não tinha mudado.E ainda assim, tudo era diferente.Valentina caminhava ao lado de Leonardo em silêncio absoluto enquanto atravessavam uma das avenidas centrais. O movimento ao redor seguia constante, contínuo, sem interrupções perceptíveis. Mas agora já não havia sensação de múltiplas possibilidades escondidas sob a superfície.Tudo era único.Tudo era contínuo.Tudo era linha.Ela respirou fundo.E dessa vez, não havia confusão na respiração.Havia aceitação.Leonardo caminhava ao lado dela, com o olhar calmo, mas atento a algo que não estava mais fora deles. Não havia mais sistema ativo, não havia mais cadeira, não havia mais projeções fragmentadas. O que restava era apenas a estrutura estabilizada da realidade que tinham aceitado.Valentina falou baixo:— Então é isso.Leonardo olhou para ela.— É isso.Silêncio.A palavra não tinha peso de fim.Tinha peso de estado.Valentina passou a mão pelo próprio braço, como se testasse a continuidade do próprio corpo dentro da con
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