A cidade seguia seu ritmo contínuo.Mas Valentina já não conseguia mais separar ritmo de estrutura.Tudo parecia encaixado demais. Cada movimento, cada som distante, cada pessoa atravessando ruas como se seguisse uma lógica que não admitia interrupção.Ela caminhava ao lado de Leonardo sem pressa, mas com uma atenção silenciosa que agora parecia permanente. Não havia mais urgência externa. Não havia mais perseguição aberta. Ainda assim, algo dentro dela permanecia alerta.Não medo.Consciência.Leonardo mantinha o olhar à frente.— Você está percebendo de novo — ele disse.Valentina olhou para ele.— Percebendo o quê?Ele demorou um segundo.— O padrão.Ela franziu a testa.— Isso não deveria ser tão evidente.Ele assentiu.— Agora não está mais escondido.Silêncio.Eles atravessaram uma rua.O sinal abriu e fechou no tempo exato em que os carros já estavam preparados para isso, como se não existisse espera real, apenas execução de um fluxo pré-definido.Valentina observou aquilo.— I
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