IGOR NARRANDO:O apartamento na Cidade do México não era grande, mas era nosso. Convidar Marília para morar comigo foi a melhor decisão que tomei na minha vida. Quando ela aceitou, senti algo que há muito tempo não sentia: felicidade. Era uma sensação estranha, porque, no fundo, eu queria mesmo voltar para os Estados Unidos, mas isso não era possível.Minhas economias estavam longe de serem como as de Dmitri ou Denis, mas sempre fui mais cuidadoso com dinheiro do que eles. Ainda tinha uma reserva, o suficiente para me manter por um tempo sem precisar me humilhar.Trabalhar para Güero era, no mínimo, desconfortável. Fazia o serviço sujo: cobrador, mensageiro, um moleque de recados. E, claro, ninguém ali confiava em mim. Nacho, principalmente. O ódio era mútuo e evidente. Mas, ao contrário dele, Güero me tratava com respeito. Talvez fosse parte do jogo dele, talvez visse algum valor em mim.Ontem, na boate, vi Draco Rodríguez. Por um momento, meu corpo congelou. Ele me encarou, mas não
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