A pequena cidade parecia fantasma.As luzes eram poucas. As ruas, quase vazias. A neve cobria tudo como um lençol pesado, abafando sons e tornando cada movimento mais lento, mais difícil.Adrian dirigia com uma mão firme no volante e a outra segurando o celular inútil, procurando qualquer sinal. Ao lado dele, Lívia respirava com dificuldade, o rosto pálido, o corpo curvado sobre o próprio ventre.Cada minuto parecia uma eternidade.— Aguenta… — murmurava ele, mais para si mesmo do que para ela.Uma placa antiga apareceu no meio da estrada:Clínica Médica Noturna.Ele freou com violência.— Chegamos.Saiu do carro antes mesmo do motor desligar e abriu a porta do lado dela.— Eu consigo andar — disse Lívia, tentando manter a dignidade.Mas as pernas falharam.Ele a pegou no colo.De novo.Sem pedir.Sem discutir.Entrou correndo.O interior da clínica era simples. Luz branca demais. Cheiro forte de produtos químicos. Um homem mais velho levantou o olhar do balcão.— Estamos fechados.—
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