O silêncio do meu escritório particular é o meu único aliado nesta manhã. Sentado atrás da imensa mesa de carvalho escuro, mantenho os olhos fixos nas telas dos monitores que exibem as linhas de código e as notificações de bloqueio emitidas pela holding Izidoro. Assino digitalmente as últimas transferências de custódia, isolando cada conta, cada fundo e cada ativo que antes sustentavam o império das artes de Beatrice. Trabalho com uma frieza cirúrgica, mecânica. O Don assumiu o controle absoluto das engrenagens, mas, sob o terno escuro, a cratera no meu peito continua aberta, latejando.Os passos apressados logo seguido do som metálico da maçaneta sendo forçada quebrou a quietude do ambiente. Alguém tenta abrir a porta de madeira maciça, mas o ferrolho trancado por dentro não cede.Eu não preciso olhar para os monitores de segurança para saber quem está do lado de fora. O perfume de rosas escuras pareceu flutuar antes mesmo de qualquer barulho e seus passos são reconhecidos por mim em
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