BenO lobo dentro de mim estava furioso.Não era uma raiva racional. Era algo primitivo, antigo, que subia das profundezas do peito como fogo líquido. Cada vez que Camila retraía o rosto durante o procedimento, cada vez que os olhos dela lacrimejavam de dor, alguma coisa dentro de mim se contorcia com uma violência quase impossível de conter. A vontade de arrancar a cabeça do médico bateu forte, absurda e visceral, mesmo eu sabendo, com clareza, que o homem só estava fazendo o necessário. Precisei respirar pela boca várias vezes, travando a mandíbula, só para não deixar um rosnado baixo escapar no meio da sala.Assim que saímos do hospital, meu lobo finalmente pareceu se acalmar. O corpo dele, no entanto, ainda carregava a memória do toque: o calor dos dedos dela contra os meus, da sensação do cabelo dela em minha mão, o cheiro dela tão perto. A ausência desse contato agora latejava como uma falta física.E então eu senti.Foi na frente do prédio dela. Uma puxada forte, quente, saindo
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