A claridade atravessava as frestas da cortina quando despertei. Por alguns segundos, permaneci imóvel, tentando entender por que aquela cama parecia tão confortável. Respirei fundo e, lentamente, a lembrança da noite anterior voltou inteira. Abri os olhos. Henrique estava de costas para mim, terminando de vestir a mesma camisa que havia usado no leilão. Por um instante, apenas fiquei observando. O lençol escorregou um pouco pelo meu ombro. Puxei-o imediatamente até o peito, cobrindo-me por instinto. Foi nesse momento que Henrique percebeu que eu havia acordado. Ele virou o rosto e sorriu. Um sorriso tranquilo. Daqueles que pareciam surgir sem esforço quando me olhava. — Bom dia. Minha voz ainda saiu baixa, sonolenta. — Bom dia. Ele caminhou até a cama sem dizer mais nada. Parou ao meu lado. Por alguns segundos, apenas me observou. — O quê? — perguntei, já desconfiando daquele silêncio. — Nada. Sorriu outra vez. — Só estava tentando entender c
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