Capítulo 72André AlbuquerqueA dor já fazia parte de mim há tanto tempo que eu deveria estar acostumado, mas naquele momento ela parecia diferente, mais profunda, mais traiçoeira, como se estivesse esperando o instante exato para me derrubar. Não era só o impacto das costelas quebradas ou o desgaste de tudo que eu tinha vivido nos últimos meses, era uma pressão constante no peito, uma dificuldade crescente de respirar que eu me recusava a reconhecer, porque naquele momento havia algo maior exigindo a minha presença.Amanda estava ali.Não como lembrança, não como esperança, mas real, diante de mim, lutando para trazer nosso filho ao mundo. O corpo dela se movia com a força das contrações, a respiração falhando, os olhos me procurando como se eu fosse a única coisa capaz de mantê-la firme, e talvez eu fosse. Talvez naquele momento eu precisasse ser.Segurei a mão dela com firmeza, ignorando o protesto do meu próprio corpo, porque nada em mim podia ceder antes dela.— Respira comigo —
Leer más