Cally acordou com o corpo pesado, como se seus ossos fossem feitos de chumbo e o silêncio da casa era quebrado apenas pelo som distante de algo tilintando na cozinha. Ela piscou, a mente enevoada pela morfina, a memória da crise de dor voltando em flashes: os gritos, o chuveiro, Dante segurando-a como se ela pudesse se desfazer em seus braços. O pijama seco que ela usava agora, a camiseta larga e a calça de moletom, ainda cheirava a amaciante, e ela sabia que ele a vestiu. A ideia a deixou levemente constrangida, mas também estranhamente grata. Ele não precisava ter feito nada daquilo.Ela se sentou na cama com dificuldade, o corpo protestando com dores residuais. A crise de anemia falciforme fora brutal, uma das piores em meses, e o que a tornava ainda mais incomum era o fato de ter vindo logo após uma transfusão.Cally sabia por quê, embora doesse admitir. A ligação de sua irmã, Isadora, naquela manhã, fora o gatilho. Isadora, com sua voz doce e venenosa, falando sobre a lua de me
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