Rafael não lembrava da última vez que tinha piscado.Os olhos ardiam como se tivessem sido esfregados com areia, vermelhos, fundos, as pálpebras pesadas demais para o estado de alerta que o corpo se recusava a abandonar. A luz da manhã atravessava as cortinas sem pedir licença, clara demais, crua demais, revelando cada imperfeição que a noite tentou esconder - o uísque derramado sobre a mesa, a roupa amassada no chão, o vazio da cama que ninguém ocupava.Nada ali parecia em ordem - nem os móveis, nem o ar… e muito menos ele.O corpo tinha desistido de acompanhar a mente. Mas a mente… a mente não parava.Lorena.O nome vinha em ondas, constante, irritante, impossível de ignorar.Rafael passou a mão pelo rosto, sentindo a barba por fazer arranhar a palma, e então se levantou de forma brusca demais, como se ficar parado fosse o suficiente para enlouquecê-lo de vez.- Encontrou? - Ele falou assim que viu Nelson cruzar as portas. A voz saiu rouca, pesada, mas afiada.Nelson não respondeu d
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