FelipeA escuridão que me cercava não era um vazio completo, mas um peso denso, claustrofóbico, como se eu estivesse submerso em águas profundas, escuras e mornas. Eu tentava desesperadamente me mover, tentava forçar minhas pálpebras a se abrirem, mas os comandos do meu cérebro simplesmente se perdiam pelo caminho, morrendo no vazio do meu próprio corpo inerte. Havia uma frustração agoniante nisso, um desespero surdo que arranhava o meu peito a cada tentativa fracassada de mover um único dedo, de soltar um sussurro, de provar que eu ainda estava aqui dentro. O medo de ficar preso para sempre nesse limbo me sufocava. No entanto, em meio àquela névoa cinzenta, fria e desconhecida, algo começou a mudar.Uma vibração suave rompeu o silêncio do meu isolamento. Era uma voz. No início, parecia distante, um som distorcido flutuando acima da superfície da água onde eu estava afogado, mas, gradualmente, o som foi se tornando mais nítido, adquirindo contornos, peso e um calor reconfortante. Kam
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