Capítulo 71 — A chamada que não existeNarrador:Camila não respirou até que o carro fez a primeira curva e o tiroteio ficou para trás como uma boca aberta, ainda babando pólvora.Então, só então, ela começou a apalpar os bolsos.Primeiro foi um gesto desajeitado, automático. Como quem procura as chaves, um batom, uma moeda. Mas, assim que não encontrou nada, o movimento tornou-se nervoso. Depois, desesperado. Depois, furioso.Enfiou a mão no casaco, no bolso interno, no da frente, no de trás. Os seus dedos percorreram o fundo, as costuras, os cantos, como se o celular pudesse ter-se escondido por pura maldade. Nada.— Merda...! — ela cuspiu, e a palavra não foi um insulto: foi uma oração interrompida.Gustavo dirigia com as mãos firmes no volante, o corpo muito ereto, muito controlado para alguém que havia aparecido no meio de um tiroteio. Ele olhou para ela de soslaio, por apenas um segundo.— O que você perdeu? — perguntou, como se perguntasse por um cachecol.Camila bateu nos bolso
Ler mais