A rotina de Elizabeth tornara-se mais cansativa e acelerada, como se os dias corressem um pouco à frente de seus próprios passos.Os enjoos surgiam sem aviso, principalmente pela manhã, acompanhados de um cansaço profundo, daqueles que pareciam morar nos ossos. O sono vinha fácil, pesado, e muitas vezes ela adormecia no sofá antes mesmo de concluir um pensamento. Havia consultas médicas, exames, horários marcados, laudos cuidadosamente guardados na bolsa, pequenos lembretes de que seu corpo já não lhe pertencia apenas.O tempo, silencioso e implacável, avançava. Os meses evoluíam e, quase sem que ela percebesse, a barriga começou a despontar. Primeiro tímida, depois evidente, redonda, viva. Elizabeth se pegava observando o próprio reflexo no espelho por mais tempo do que antes, as mãos repousando sobre o ventre, alisava a pele lisa, sentindo o bebê se mexer , fazendo um sorriso discreto escapar sem esforço. Havia felicidade ali. Uma felicidade tranquila, quase reverente. Ela se sent
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