O altar da Deusa do Amor estava mergulhado numa penumbra mística, quebrada apenas pela luz trêmula das velas. Camila mantinha os braços cruzados, o corpo rígido. O cheiro de sândalo, que antes a acalmava, agora parecia sufocante.O Guru Mahesh posicionou-se diante dos relevos de pedra, movendo as mãos com fluidez para guiar o olhar de Camila através das eras esculpidas.— Respire, Camila. Ouça a verdade que a vergonha tentou apagar — começou Mahesh. — Amara era a nossa Deusa Criadora. Ao lado de Purusha, ela deu origem à humanidade num estado de prazer puro. Mas ela viveu uma paixão avassaladora com Vadhaka, e Purusha, movido pelo ciúme, destruiu aquele refúgio e matou o próprio irmão.Ele apontou para a transição nos relevos, onde a escuridão parecia engolir as figuras.— Amara foi feita prisioneira e condenada ao exílio numa torre de marfim nos confins do reino. Mas a sua filha, Maya, ficou entre nós. Maya não pertencia a um único lugar; ela vivia andando pelo mundo, cruzando fronte
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