O salão da galeria em São Paulo exalava o cheiro de tinta fresca, espumante gelado e o perfume caro da elite que circulava entre as obras. Camila movia-se pelo espaço com segurança. O vestido de suplex preto abraçava suas coxas, revelando uma mulher que não mais pedia licença para existir.Seus olhos, treinados pela visão de Amara, varreram o público até pararem em um rapaz. Ele parecia deslocado, com um catálogo na mão e um físico franzino, mas de uma beleza delicada e angulosa. Ele não deveria ter mais que dezoito ou dezenove anos. Tinha o pescoço fino, clavículas marcadas e uma pele muito clara, quase translúcida, que contrastava com os cabelos escuros e levemente bagunçados.A aura dele era de um azul límpido e tímido, mas, assim que os olhares se cruzaram, a cor transmutou-se violentamente. O vermelho subiu pelo peito dele e concentrou-se, pulsante e denso, na região do baixo ventre. Camila sorriu, sentindo a eletricidade familiar. Ela se aproximou, deixando que o aroma de seu pe
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