Cláudia não gostava de ser surpreendida.E Arthur tinha ido longe demais.Ela esperou o portão do orfanato fechar antes de voltar para sua sala. Não demonstrou pressa. Não demonstrou nervosismo. Funcionárias nervosas levantam suspeitas. Diretoras experientes mantêm a postura.Sentou-se à mesa. Alisou a pasta que ele havia deixado ali por alguns segundos a mais do que o necessário.Transferências.Denúncias arquivadas.Ele estava cavando.E cavando com método.Ela pegou o telefone apenas quando teve certeza de que ninguém estava no corredor.Discou o número que sabia de cor.A chamada foi atendida no terceiro toque.— Ele esteve aqui — disse, sem cumprimentos.Do outro lado da linha, silêncio.— Arthur começou a fazer perguntas. Registros antigos. Movimentações financeiras.Uma pausa.— Ele tem algo concreto? — a voz masculina perguntou, controlada.— Ainda não.Ainda.Cláudia girou a cadeira lentamente, observando o pátio pela janela. Crianças brincavam sob o sol da tarde. Uma delas c
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