Chego em casa no automático, como se meu corpo soubesse o caminho melhor do que minha mente. Aviso o Igor para seguir para a empresa, conferir os documentos importantes, tocar tudo por lá. Hoje e nos próximos dias eu fico aqui. Isolado. Tentando juntar os pedaços. Os dias passam lentos, arrastados, todos iguais. Não piso na empresa. Trabalho de casa, mas sem foco. Sem ânimo. Não procuro a Nany. Dou a ela o espaço que pediu, mesmo que isso me doa mais do que qualquer rejeição. Ainda assim, não consigo desaparecer completamente. Envio flores. Buquês silenciosos, como pedidos de desculpa sem palavras. Uma forma de dizer: estou aqui, mesmo à distância. Meus amigos percebem. Bernardo, principalmente. Ele sabe de tudo e tenta, do jeito dele, me puxar de volta para o mundo. Arthur e Bruno apenas sabem que não estou bem, que perdi o gosto pelas saídas, pelas noites vazias, pelas distrações que antes pareciam suficientes. Nada disso importa. Tudo o que eu preciso é da Nany. Ma
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