O contrato de exclusividade estava sobre a mesa de carvalho, as bordas levemente gastas de tanto Arthur o manusear nas madrugadas de insônia. Lara o observava da porta do escritório. Ela não usava mais o uniforme cinza, nem o vestido vermelho de "propriedade". Usava um terno de corte impecável, branco, que exalava a confiança de quem acabara de assinar seu primeiro projeto como arquiteta.Arthur não se virou. Ele observava a chuva de São Paulo, a mesma que os unira meses atrás.— A cirurgia da sua mãe foi um sucesso total. As dívidas foram pagas. Você se formou. — A voz dele era um barítono baixo, sem a crueldade de antes, mas com uma melancolia perigosa. — O contrato diz que, uma vez cumpridas as obrigações, você está livre.Lara caminhou até a mesa. O silêncio no 42º andar ainda era absoluto, mas agora ela não se sentia sufocada por ele.— Você quer que eu vá embora, Arthur? — ela perguntou, desafiando-o com o tom de voz.Ele se virou lentamente. Os olhos, que antes eram puram
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