Lorena Azevedo Quatro meses. Cento e vinte e dois dias. Dezesseis semanas. Incontáveis aprendizados. E ainda assim, às vezes eu acordava no meio da madrugada com o corpo quente demais, o coração acelerado e um nome mudo nos lábios que eu fingia não lembrar. Mas eu tava viva. Tava de pé. E mais que isso: tava vencendo. Continuava morando com a Tati — ou melhor, ela continuava morando comigo, como ela mesma dizia, já que eu fazia questão de ajudar com tudo. A gente dividia as contas do aluguel, do gás, da feira do mês. Hoje, tinha carne no prato, arroz soltinho, feijão temperado. E mais: eu tinha conseguido comprar uma mesa nova, um sofá que não quebrava as costas e até um armário modesto pra guardar as roupas do Miguel. Falando nele... — Mãe! Cadê minha blusa nova do dinossauro? — Tá na gaveta de cima, meu amor! Dobradinha, igual te ensinei. Ele saiu correndo, rindo, com o cabelo bagunçado e o dente da frente ainda faltando. Ver aquele menino sorrindo de novo...
Ler mais