145. CONTINUAÇÃO
LUIGI:O silêncio, denso e palpável, apoderou-se da estância enquanto Lucero, com olhos que refletiam um mar de dúvidas e temores, examinava as amostras de escrita que Enzo lhe apresentava. Após um profundo suspiro, que parecia arrastar consigo uma carga imensurável, voltou-se para mim. A sua voz, tingida de vulnerabilidade e súplica, rompeu o silêncio:—É verdade que nunca me rejeitaste? Não foste tu quem escreveu essas terríveis palavras nas cartas? —Fez uma pausa, tentando em vão conter as lágrimas que ameaçavam transbordar, enquanto as suas mãos tremiam ao segurar as cartas—. Olha, estas cartas... através delas soube de ti. Descobri-as depois de a mamã cair doente. Ela tem-te estado a escrever às escondidas durante anos, rogando-te perdão sem explicar o motivo. Agora entendo, foi porque nunca te falou de mim, verdade? Ela foi-se embora sem te dizer que estava grávida.—Não, nunca o soube —por fim consegui falar— se chego a saber…—Não sabias, não sabias, e então, estas cartas? —mu
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