Eu não dormi. Fiquei virando de um lado para o outro, o corpo cansado, mas a mente presa demais para desligar, repetindo sensações que eu queria esquecer e, ao mesmo tempo, não conseguia afastar. Antes mesmo da primeira luz surgir, ainda no escuro frio que antecede o amanhecer, Ravok acordou. Eu ouvi o movimento do corpo dele no sofá, o leve rangido do couro, passos firmes atravessando o espaço até o banheiro. A água do chuveiro começou pouco depois.Eu permaneci exatamente como estava, de costas, os olhos fechados, a respiração controlada. Não me virei em nenhum momento, nem quando o som da água parou, nem quando ouvi o tecido sendo ajustado, o peso de passos se aproximando e depois se afastando. Fingi um sono profundo, imóvel, como se qualquer reação pudesse denunciar que eu estava acordada o tempo todo. Só quando as portas do elevador se abriram e, em seguida, se fecharam com um clique baixo, foi que meu corpo cedeu um pouco, a tensão acumulada se dissolvendo lentamente.Acabei
Leer más