Aquele não foi o nosso primeiro beijo. Longe disso. Também não foi a primeira vez que fomos vistos por pessoas de confiança, e certamente não foi a primeira vez que fomos flagrados juntos — e, em algumas ocasiões, juntos até demais. Mas havia algo naquela arquibancada, sob as luzes ofuscantes do Saint George e o olhar de centenas de colegas, que fazia tudo parecer inédito. Parecia, de fato, o primeiro.Quando o telão nos encontrou, meu coração falhou uma batida. O som do ginásio pareceu se distanciar, como se eu estivesse submersa. Senti o calor das mãos dele na minha cintura, firmes, públicas, impossíveis de negar. O ar ficou pesado nos meus pulmões. Por um segundo, pensei em recuar. Pensei nas risadas. Nos cochichos. Nos olhares que sempre me mediam como se eu fosse só mais um capítulo descartável da história dele.Talvez porque, naquele milésimo de segundo em que o telão nos entregou, o medo que me assombrava finalmente se dissipou. O medo de ser apenas a "conquista número 51" da s
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