Ayana BrooksAquela casa ainda me assustava mesmo depois de alguns dias, o silêncio daquele lugar não era comum — era pesado, intenso e profundo demais. Não o tipo de silêncio que acalma, mas aquele que parece observar, cobrar e lembrar o tempo inteiro que algo importante se perdeu ali dentro. Naquela manhã, porém, havia algo diferente. Noah estava acordado mais cedo do que o habitual, os olhos grandes e atentos, acompanhando cada movimento meu enquanto eu trocava sua fralda. Ele não chorava e também não reclamava. Apenas… observava.— Bom dia, pequeno — murmurei, inclinando-me para ele. — Dormiu bem?Ele respondeu com um som engraçado, meio engasgado, meio curioso, e mexeu as perninhas com energia. Ri sem perceber. Um riso baixo, quase tímido, como se eu ainda estivesse pedindo permissão para existir ali.Peguei-o no colo com cuidado, sentindo o peso morno do corpo dele contra o meu. Noah se encaixava com facilidade, como se meu braço fosse um lugar conhecido. Aquilo sempre me desar
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