O TEMPO DO CUIDADOO som do telefone cessando deixa no ar uma vibração de pura expectativa. Com a confirmação de que Paul, Valentino e o pequeno Felipo estão totalmente seguros, felizes e distraídos nas outras propriedades, uma rara e profunda sensação de total liberdade se instala no peito. É o momento perfeito para respirar fundo, olhar ao redor e tomar uma decisão necessária, daquelas que vêm de dentro. Caminho até o espelho de moldura dourada na entrada da sede e encaro o meu próprio reflexo. Observo os meus olhos, os traços do meu rosto, e percebo que, em meio a tanta correria, ao trauma sufocante do cativeiro, à adrenalina da fuga e ao trabalho duro e diário nos vinhedos, o cuidado comigo mesma acabou ficando em segundo plano. Eu me doei tanto para a terra, para o meu filho e para a minha sobrevivência que esqueci da mulher que pulsa sob a enóloga.— Vou me arrumar — digo para mim mesma, sentindo uma energia renovada e quente subir pelas minhas veias. — Vou p
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