— PAULO ambiente do restaurante continua vibrando com o tilintar sutil dos talheres de prata, o som suave do violino ao fundo e o murmúrio baixo e polido da alta sociedade de Nova York, mas a nossa mesa parece um mundo completamente à parte, blindada pela nossa própria atmosfera de cumplicidade. Olho para Gioconda ao meu lado, admirando a forma como a luz das velas dança nas ondas do seu cabelo longo e faz a imensa esmeralda no seu dedo brilhar como fogo verde. Sinto uma onda de nostalgia tão forte invadir o meu peito que não consigo conter as palavras. Olho para o Declan, que segura a filhinha com tanto carinho, e decido que a noite de hoje é para lavar a alma de vez.— Mas a história não para por aí, Declan. Se eu conto o resto, você não acredita — digo, soltando uma risada alta e balançando a cabeça, apoiando os cotovelos na mesa de linho. — Vocês precisam ver o tamanho da enrascada em que eu me enfio. Depois que ela devora o jantar que eu peço, porque parece
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