A revelação de Isabela sobre o passado de Alice caiu sobre Heitor como um inverno súbito. Naquela noite, ele não conseguiu dormir. Cada vez que fechava os olhos, imaginava Alice em um corredor frio de hospital, segurando a mão de uma criança que se esvaía, enquanto ele, no mesmo período, reclamava de reuniões entediantes ou de excesso de trabalho. A vergonha era um sentimento novo e amargo para Heitor Albuquerque. Ele se sentia um gigante de pés de barro diante da estatura moral daquela mulher.Na manhã seguinte, a atmosfera na mansão estava carregada de uma gentileza estranha. Heitor não fugiu cedo. Ele permaneceu na sala, observando Alice organizar os brinquedos de Léo com uma atenção renovada. Ele queria dizer algo, queria pedir perdão, queria envolvê-la em um abraço que prometesse que ninguém jamais a magoaria de novo, mas as palavras de Isabela o impediam: “Ela não quer a sua piedade”.Alice, por sua vez, sentia o peso do olhar de Heitor. Ela percebeu que a rig
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