O PEDIDO DE ALLAN Sinto a tensão de Alan vibrar no ar, uma intuição infantil que carrega o peso de uma profecia. —O conforto do jato, com seu ronco suave e constante, subitamente parece uma bolha frágil prestes a ser perfurada pela realidade que nos aguarda em solo firme. Acaricio o topo da cabeça do meu irmão, tentando transmitir uma segurança que, no fundo, começo a questionar.— Durma, Alan, o futuro ainda não chegou — sussurro, embora minhas próprias palavras soem vazias para mim mesma.Ele se ajeita entre os travesseiros e, em poucos minutos, a respiração pesada indica que o sono finalmente o venceu.— Eu me levanto e caminho até a janela oval, observando a imensidão escura lá fora. O céu estrelado parece indiferente aos dramas humanos que se desenrolam a quilômetros de altura. Meus pensamentos orbitam em torno de Irina; a imagem daquela mulher, com sua elegância calculada e olhos que nunca revelam o jogo completo, surge
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