ALINE NARRANDO:O último ano foi o pior da minha vida, um inferno que parecia ter durado dez anos.Passei o primeiro mês inteiro na solitária, um cubículo cinzento, úmido, com uma cama de concreto coberta por um colchão fino que cheirava a mofo. A luz ficava acesa 24 horas por dia, um zumbido constante que me enlouquecia. Não tinha janela, só uma fresta no alto da porta por onde passava a comida, uma papa insossa e fria que mal dava para engolir. Eu gritava por ajuda, batia na porta até os punhos sangrarem, chorava dizendo que era injusto, que eu não tinha matado ninguém, ninguém respondia. O silêncio era pior que os gritos.Quando me tiraram da solitária, fui para o convívio comum. Foi aí que o verdadeiro inferno começou. As outras detentas nos odiavam desde o primeiro dia “vadias mimadas”. Uma turma se juntou e nos deu uma surra brutal no pátio, chutavam minha barriga, meu rosto, minhas costelas, tu tentava proteger a cabeça, mas os golpes vinham de todos os lados, Renata levou
Ler mais