Sabrina Duran O apartamento dos Bianchi exalava uma quietude aristocrática que, geralmente, me fazia sentir em um museu. Mas naquela noite, o museu tinha sido invadido por fraldas descartáveis, bichos de pelúcia e o cheiro inconfundível de talco e leite. Lian e Júlia tinham saído há trinta minutos. Ver o "Leão" de terno sob medida conferindo três vezes se o aquecedor do quarto estava na temperatura exata, enquanto Júlia, deslumbrante em um vestido de seda esmeralda, tentava não chorar ao se despedir dos pequenos, foi quase cômico. Eles precisavam daquela festa de gala. Precisavam ser o casal poderoso da holding por algumas horas, longe do regime de amamentação e noites em claro. E sobramos nós. Os padrinhos. O "Robô" e a "Dona da Noite". — Você está segurando o Matteo como se ele fosse um documento sigiloso prestes a se autodestruir, Guto — brinquei, encostada no batente da porta do berçário, observando Augusto tentar posicionar o menino no colo. Ele estava de calça social e uma
Ler mais