Sabrina Duran O grave do sistema de som da boate não era apenas ouvido; era sentido no osso, no diafragma, na alma. Naquela noite, a casa estava operando acima da capacidade. O show internacional que eu tanto lutei para trazer estava prestes a começar. Luzes estroboscópicas cortavam o ar saturado de gelo seco e perfumes caros. Eu estava no centro do furacão, com o rádio no cinto e o olhar de águia percorrendo cada centímetro do VIP.Eu deveria estar radiante. Deveria estar sentindo o gosto da vitória. Mas, por dentro, eu era um deserto de incertezas. Augusto ainda não tinha me ligado. O silêncio dele, depois de um jantar que pareceu o início de um novo capítulo, estava me corroendo. André tentou me acalmar, disse que ele era um estrategista, que estava "processando". Mas para uma mulher que passou a vida esperando o golpe vir de onde ela menos esperava, o silêncio era o som de uma contagem regressiva.— Sabrina, o bar dois está ficando sem gelo! — a voz de um segurança estalou no meu
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