POV EmíliaO serviço de quarto chega às 19h45. O garçom bate duas vezes, discreto, e deixa a bandeja na mesinha da varanda coberta: sopa quente, pão fresco, queijo, frutas, uma garrafa de vinho tinto e duas taças, mesmo eu tendo pedido só para uma pessoa. Eu agradeço, dou gorjeta, fecho a porta. O cheiro de comida quente enche o quarto, mas meu estômago está fechado. Eu sirvo um pouco de sopa na tigela, coloco na mesa, mas só fico olhando.A chuva continua caindo forte lá fora, o vento uivando baixo nas frestas da varanda. O lago está agitado, ondas escuras batendo na margem. Eu me sento na poltrona perto da lareira elétrica, puxo o cobertor sobre as pernas. O quarto está quente, mas eu sinto frio por dentro.Então batidas na porta.Três toques leves, quase hesitantes.Eu congelo.Declan está no quarto ao lado. Ele não bateria. Ele mandaria mensagem.Eu me levanto devagar. Aproximo da porta. Apoio a mão na madeira.— Quem é?Silêncio curto.Depois a voz dele, baixa, rouca, quase abaf
Leer más