Duas semanas haviam se passado desde o incidente com Sofia, mas, dentro daquela casa, o tempo parecia estagnado.A menina já não era a mesma. Tornara-se fechada, arredia, e o silêncio que impunha ao pai doía mais do que qualquer palavra dura. Sofia se recusava a estudar, empurrava os cadernos para longe e passava os dias perguntando por Marina, como se repetir o nome pudesse trazê-la de volta.Rafael, endurecido pelo orgulho e pela culpa que se recusava a admitir, foi categórico: Sofia estava proibida de falar com a ex-babá. Em sua mente, aquela decisão era necessária. Acreditava, ingenuamente, que o esquecimento viria com o tempo. Não veio.Francesca observava tudo em silêncio, o coração pesado ao ver o filho se afastar da própria filha. Tentava conversar, alertá-lo, fazê-lo enxergar o estrago que estava causando, mas Rafael sempre encontrava uma desculpa, um compromisso, qualquer coisa que o livrasse de ouvir a verdade.A casa, antes viva, tornara-se um lugar frio.Nem mesmo Lúcia c
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