GIOVANNA + CRISTIAN | Epílogo GIOVANNA Lua nasceu numa segunda-feira deoutubro às quatro e quarenta e dois da manhã. Havia algo de correto naquele horário — antes do amanhecer, naquele azul específico que São Paulo tem quando a noite ainda não terminou mas o dia já começou a se organizar do outro lado. O horário em que eu havia aprendido, ao longo de dois anos, que as coisas mais importantes chegavam: as decisões que ficavam claras quando todo mundo dormia, as conversas que saíam quando a guarda estava baixa, os primeiros cafés que eram preparados para a casa antes que a casa acordasse. O horário do tipo de clareza que só existe quando o resto para. Lua chegou com o peso que os médicos haviam calculado quase exatamente, com aquela forma de recém-nascido que é simultaneamente a coisa mais vulnerável e mais extraordinária que existe no mundo, com os olhos que na primeira semana ficaram fechados a maior parte do tempo e que quando abriam tinham aquela cor indefinida de começ
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