A salvação que chega pela porta errada.O presídio não era um lugar. Era uma sensação. Um peso no peito que começava antes do portão e ia se adensando a cada etapa do protocolo. O ar tinha cheiro de metal velho, suor reprimido e desinfetante que tentava apagar o que nunca se apaga. O som era sempre o mesmo, mesmo quando mudava. Portas batendo, passos secos, vozes controladas, ordens curtas. Um mundo construído para lembrar ao homem, o tempo inteiro, que ele não manda mais nem no próprio corpo.Sintra entrou sem pressa, mas sem conforto. Ele não gostava daquele lugar. Não por medo. Por método. Prisão era ruído. Ruído arranha a lógica, atrapalha leitura de gente, e Sintra vivia de leitura.Ao lado dele, Jorge Fernandes caminhava com uma calma que não parecia coragem. Parecia hábito. Terno discreto, pasta simples, expressão neutra. O tipo de homem que você não olha duas vezes e, por isso, é perigoso. Ele cumprimentou com educação o agente na triagem, apresentou documentos, assinou o que
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