A floresta estava viva naquela manhã. Não no sentido poético que os bardos gostavam de cantar, mas no jeito real, bruto, pulsante. O chão respirava sob meus pés. O ar carregava camadas de cheiro que se sobrepunham como vozes antigas — terra úmida, musgo esmagado, folhas jovens, o rastro distante de cervos e o eco mais recente de lobos que haviam passado durante a madrugada. Era ali que eu me sentia inteira. O esquadrão avançava em formação solta, atento, mas sem tensão excessiva. Treinamento diário. Rotina. Ainda assim, eu sentia os olhos sobre mim. Darian caminhava alguns passos atrás, observando. Ele era o Alfa e nós éramos seus soldados. — Parem aqui — ordenei, erguendo a mão. O grupo obedeceu sem questionar. A clareira à frente parecia comum para olhos destreinados. Para mim, era um mapa aberto. Inclinei o corpo, toquei o solo com dois dedos e inspirei devagar. — Temos três alvos — disse. — Dois passaram pela borda norte há cerca de uma hora. O terceiro tentou mas
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