POV RachelO uísque desceu mais suave na terceira dose, mas não trouxe conforto. Apenas uma sensação morna que não resolvia nada. Ficamos em silêncio por alguns instantes. Não havia mais o que dizer sem transformar a conversa em algo irreversível.Eduard girava lentamente o copo entre os dedos, observando o líquido âmbar como se buscasse respostas ali. Eu mantinha os braços apoiados na ilha da cozinha, sentindo o peso do dia, da conversa e dos meses anteriores acumulados no corpo.— Você está cansada?— ele disse.Não era pergunta.Eu assenti.— Estou.O silêncio voltou, mais denso, mais cansado.Ele serviu outra dose para si, mas eu balancei a cabeça.— Não. Já chega.Ele não insistiu.Fiquei alguns segundos parada antes de falar:— Eu vou dormir.Ele levantou o olhar, atento, como se avaliasse algo além da frase.— Boa noite, Rachel.Não havia frieza. Também não havia proximidade.Eu segui pelo corredor sem pressa, sentindo os músculos pesados, como se cada passo exigisse mais energi
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