Henry Carter O silêncio que se seguiu na cozinha não era de hesitação, mas de uma compreensão profunda que flutuava entre nós, tão densa quanto o aroma do café recém-passado. Olívia se afastou apenas o suficiente para me encarar, e vi em seus olhos aquela inteligência vibrante que sempre me fascinou, agora suavizada por uma camada de vulnerabilidade que ela só permitia que eu visse. — Você vai aparecer em cada reunião minha, Henry? Ela sorriu, passando as mãos pelos meus braços. — Você sabe que intimida todos. Sua presença preenche qualquer espaço. Soltei uma risada e murmurei. — Vou tentar ser discreto. Brinquei, embora soubesse que, caso precisasse protegê-la, minha discrição teria limites bem definidos. — Mas falo sério sobre o escritório. Quero que você tenha um santuário. Nada de trabalhar na mesa da sala ou em cantos improvisados. Você precisa de um lugar onde sua mente possa expandir sem interrupções, onde o único som seja o do vento no jardim e, talvez, o das risadas
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