ClaraAcordo e, antes mesmo de abrir os olhos, percebo algo no ar. Um cheiro familiar. É o cheiro dele, de Miguel. De um jeito quase irreconhecível, mas ainda assim tão presente. Um cheiro que me faz sorrir, mesmo sem querer. Meu coração dá um pulo no peito, como se a lembrança da noite passada me envolvesse de novo.Foi uma noite incrível, e apesar de tudo—de eu ter, de alguma forma, ajudado a piorar a lesão dele—não consigo não me sentir feliz. Ele está bem. Isso é o que importa. E, de certa forma, tudo mudou entre nós. Não é exatamente um namoro, não ainda. Ele não me pediu nada, e eu também não cobro isso. Mas é como se houvesse algo no ar, uma mudança sutil, que não precisa ser dita, mas que a gente sente. Estamos começando a... não sei, a construir algo. Algo que vai além das palavras.E eu me pego sorrindo mais uma vez, sabendo que talvez, daqui pra frente, as coisas sejam diferentes. Talvez, só talvez, estejamos começando a escrever nossa própria história, sem pressa, sem pres
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