MiguelEu fiquei parado, sem saber como reagir. A mãe dela saiu como se tivesse vencido uma discussão que só existia na cabeça dela, e Clara simplesmente continuava ali, imóvel, com o rosto sereno. Era como se nada tivesse acontecido, mas eu sabia que aquilo tinha acertado em cheio.A garçonete tentou ajudá-la com os guardanapos, limpando o chocolate espalhado pela mesa e um pouco pela roupa de Clara. Ela agradeceu de um jeito calmo, até gentil, o que me deixou ainda mais confuso. Eu esperava uma explosão, alguma reação, mas Clara estava no controle.Eu continuei observando, meio perdido no que deveria fazer.— Podemos ir agora Miguel — ela diz, depois de um tempo.Fiquei parado por um instante, mas logo me movi, puxando a cadeira para que ela pudesse se levantar com facilidade. Ela aceitou meu braço com naturalidade, como sempre fazia, e juntos seguimos para a saída.Enquanto passávamos pelo salão da confeitaria, percebi os olhares de algumas pessoas. Uns disfarçavam, outros encarava
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