A luz forte do meio-dia invadia o loft de Sam, revelando a desordem dos lençóis e as manchas de suor que pareciam tatuadas no colchão, mas nem toda aquela claridade era capaz de dissipar a névoa que se formava na mente de Adreas. Ele estava parado diante do espelho do banheiro, observando as marcas roxas em seu pescoço e a mordida cicatrizando no ombro. Eram marcas de posse, selos de uma herança sobrenatural que ele aceitara no calor da adrenalina, mas que agora, sob o silêncio da sobriedade, pesavam como chumbo. Ele mal reconhecia os próprios olhos; havia neles uma dilatação constante, um reflexo do desejo faminto que Sam instigava, mas também uma sombra de apagamento.Adreas sentia que sua vida de vinte e cinco anos — seus sonhos de carreira, seus amigos, sua individualidade — estava sendo canibalizada pela presença colossal de Sam. Ele não era mais Adreas, o designer independente; ele estava se tornando apenas "a coisa de Sam", um satélite girando em torno de um sol negro e imortal
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